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O traço de Oscar Niemeyer fez de Brasília uma cidade mulher, feminina e sedutora. Moça feita de curvas quase impossíveis que cativam e encantam, dando leveza ao concreto pesado. O mesmo traço que replicou na Pampulha o horizonte sinuoso das montanhas mineiras. Arquitetura de escultor, que notabilizou Niemeyer mundialmente.

 

Assim ele explicava seu estilo: “Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo – o Universo curvo de Einstein.”

 

Foram décadas de exercício do ofício de arquiteto, ocupando ruas, praças e cidades com prédios e palácios, torres e tribunais, museus e monumentos, igrejas e ícones. Um número sem fim de obras que o colocaram à altura dos grandes nomes, lado a lado dos maiores no panteão da arquitetura.

 

 

Um arquiteto mundial.

As curvas de Niemeyer

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Imagem: ArchDaily

 

Reconhecido mundialmente com honrarias como o Prêmio Pritzker e com o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, Niemeyer surpreendeu o mundo ainda cedo, quando dividiu a caneta com o mestre do modernismo, Le Corbusier, na parceria da qual resultou a sede das Nações Unidas em Nova Iorque.

 

Seu legado ainda influencia talentos extraordinários como o espanhol Calatrava, entre muitos outros ao redor do mundo, e cativa milhares de pessoas diariamente que se deparam com as suas obras em vários países.

 

A notabilidade internacional fez de Niemeyer um arquiteto da humanidade, aclamado pelo estilo original que quebrou os ângulos retos dos modernistas em curvas, trazendo um charme para um padrão duro e frio, até então sem vida. Dando personalidade ao modernismo ao empregar o estilo com alma brasileira.     

 

 

Um arquiteto brasileiro.

As curvas de Niemeyer

Igreja da Pampulha em Belo Horizonte. Imagem: abrilcasacor

 

Oscar Niemeyer já era um profissional completo e reconhecido quando iniciou a sua parceria com JK. Mas é por meio das obras desenvolvidas para o visionário político mineiro que Niemeyer se torna o maior dos arquitetos brasileiros, empregando como um mestre os elementos tupiniquins na técnica modernista que tão bem dominava.

 

O projeto da Pampulha, diz Niemeyer, ofereceu-lhe a oportunidade de “desafiar a monotonia da arquitetura contemporânea, a onda do funcionalismo mal interpretado que a limitava, e os dogmas de forma e função que havia surgido, contrariando a liberdade de plástico que o concreto permitia”. [1] É aí que seu traço se contamina de uma brasilidade que passa a ser intrínseca ao seu estilo.

 

As curvas de Niemeyer

Fachada do Edifício Copan em São Paulo. Imagem: abrilcasacor

 

Um traço que copia as montanhas mineiras no design da igreja da Pampulha, que traz o movimento das ondas à fachada do edifício Copan em São Paulo. Que chega ao seu primor ao traçar sua opera magna, Brasília.

 

 

O arquiteto de Brasília.

As curvas de Oscar Niemeyer

Palácio da Alvorada em Brasília. Imagem: Estavapelomundo

 

Impossível separar a identidade da Capital Federal do nome de seu arquiteto. Nessa parceria com JK, a epopeia da construção da nova capital, Niemeyer se viu como um artista diante de uma grande tela em branco, desafiando o cerrado ermo e vazio para ali compor toda uma cidade.

 

Poucos arquitetos tiveram uma oportunidade como essa. Menos ainda foram os que conseguiram realizar o desafio. “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”, dizia Oscar. E ele sonhou alto.

 

Em Brasília ele realizou dezenas de obras que se tornaram famosas no mundo inteiro, como os Palácios (Planalto, Alvorada e do Supremo Tribunal), o Congresso Nacional, a incrível Catedral de Brasília, a torre de TV Digital, a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, o Museu Nacional, os tribunais superiores, a elegante ponte que liga a Asa Sul ao Lago Sul na altura do Pontão, entre inúmeras outras obras inesquecíveis e atemporais.

 

“Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito”, disse Oscar resumindo sua genialidade como arquiteto. Um mestre que ultrapassou a idade dos 100 anos em plena atividade, que não se dobrou à fama, sendo um sujeito simples apaixonado pela vida, pelos amigos, gentil com todas as coisas e brasileiro por essência.

 

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[1] Fonte: Wikipedia