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“É assim que, sendo monumental, é também cômoda, eficiente e íntima. É ao mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional… Brasília, capital aérea e rodoviária; cidade-parque1”. Assim Lúcio Costa descrevia sua proposta de capital, uma cidade-parque e bucólica.

Brasília foi concebida a partir de quatro escalas. A monumental, que abriga os palácios e monumentos entre a Praça dos Três Poderes e a Praça do Buriti. A escala residencial, ilustrada pela superquadra feita de prédios sobre pilotis, em que “o chão é público – os moradores pertencem à quadra, mas a quadra não lhes pertence – e é esta a grande diferença entre superquadra e condomínio2”. A escala gregária, onde pessoas convivem nos pontos de encontro, representado pelos setores de convergência da população. E por fim, a escala bucólica, que permeia as demais com os gramados, jardins, paisagismo e árvores, que abraça a cidade por meio do Lago Paranoá.

A escala bucólica é a dimensão arquitetônica que garante ao brasiliense a existência de cerca de 72 parques no DF, sendo 33 abertos à visita do público3, além de tantas outras áreas de deleite integradas ao meio-ambiente.

Em destaque, temos entre a Asa Sul e o Sudoeste o Parque da Cidade Sarah Kubitschek, um dos maiores parques urbanos do mundo, eternizado na canção “Eduardo e Mônica” da Legião Urbana. Sob medida para corridas, ciclismo e com diversos espaços lúdicos para as crianças, como o castelinho, o centro de diversões Nicolândia e o parque Ana Lídia, mais cohecido como Parque do Foguete.

Também contamos com o Jardim Botânico de Brasília, com seus parques temáticos (jardim japonês, jardim dos cheiros, jardim de contemplação, etc) para os apaixonados pela flora e perfeito para piqueniques, além de contar com uma das melhores opções de café da manhã da cidade nos domingos.

Já as crianças adoram o Jardim Zoológico próximo ao Guará, integrando a natureza com a fauna, e o Parque Ecológico Dom Bosco, ou Parque da Ermida no Lago Sul, indicado para quem aprecia a orla, um bom banho de lago e para os praticantes de trilhas e da modalidade de downhillpara skate e patins.

Taguatinga conta com 3 opções interessantes de parque: O Taguaparque para recreação e lazer, e os parques ecológicos Saburo Onoyama, que é um viveiro a céu aberto, e o Lago do Cortado, com diversas cachoeirinhas.

A Asa Norte e o Noroeste também são bairros privilegiados neste quesito. Contam com o Parque da Água Mineral e suas piscinas, além do Parque Olhos D`água e do o novo Parque Burle Marx, em homenagem ao maior paisagista brasileiro, e que está sendo implementado com grande infraestrutura e beleza para ser um espaço único na cidade.

Há ainda os parques de bairro como o Parque Ezechias Heringer (Guará), o Parque Ecológico de Águas Claras, a ponta do Lago Norte e o Parque dos Jequitibás em Sobradinho, só para citar alguns.

Tantas opções de parques só foram possíveis devido à escala bucólica de Lúcio Costa, dando uma identidade única à capital do Brasil, de modo que a UNESCO reconhecesse as escalas de Brasília como Patrimônio da Humanidade, tombando a cidade para que tais características, tão notórias mundialmente, jamais se perdessem.

“Do estrito e fundamental ponto de vista da composição urbana chegou o momento de definir e de delimitar a futura “volumetria” espacial da cidade, ou seja, a relação entre o verde das áreas a serem mantidas “in natura” (ou cultivadas como campos, arvoredos e bosques) e o branco das áreas a serem edificadas. Chegou o momento, digo mal – o último momento, diria melhor – de ainda ser possível avivar esse confronto e de assim preservar, para sempre, a feição original de Brasília como cidade-parque4”.

 

[1] e [2} Fonte: Lúcio Costa, no Relatório do Plano Piloto de Brasília.

[3] Fonte: Instituto Brasília Ambiental (IBRAM)

[4] Retirado do documento de 1990 em ocasião do tomabamento de Brasília.