fbpx

A Escala Gregária de Brasília, ou a escala dos pedestres, abrange todos os setores de convergência de pessoas no projeto do Plano Piloto, tendo como ponto central a Plataforma da Rodoviária, lugar onde se cruzam os eixos da cidade. É a escala das multidões.

 

Uma escala destinada ao encontro das pessoas com outras pessoas, onde o brasiliense se reúne e se aglomera. Seja em busca de bens e serviços como no Setor Comercial, de hospedagem no Setor Hoteleiro, de atendimento no Setor Hospitalar ou de entretenimento no Setor de Diversões.

 

Endereços calculados na medida do homem, sem extravagâncias monumentais e espaços vazios, calçados para pedestres e pouco convidativo para os carros. A escala gregária é a escala das gentes, do indivíduo social, dos encontros e desencontros que fazem as histórias das personagens locais.

 

 

Rodoviária de Brasília. 

Plataforma Rodoviária de Brasília

Plataforma Rodoviária. Imagem: victoria.camara

 

Brasília “nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz”. [1] Na intersecção dos traços, foi construído a Plataforma Rodoviária, ponto de chegada e partida da Capital Federal, e de onde os ônibus saem distribuindo as pessoas pelos demais bairros da cidade.

 

 

Setor Hoteleiro.

 

Para quem chega a cidade, foi imaginado uma região exclusiva para hotéis, margeando o Eixo Monumental de modo que o turista se acomodasse vizinho às atrações da cidade.

 

 

Setor Hospitalar.

 

Os grandes hospitais da cidade foram originalmente endereçados aqui. São eles o grande  Hospital de Base, referência em todo o Distrito Federal. Também o renomado Hospital Sarah Kubitscheck, com fama nacional e internacional. E por fim, o HRAN, sediado do outro lado do Eixo, na Asa Norte.

 

 

Setor de Diversões.

Setor de Diversões Sul.

Setor de Diversões Sul. Imagem: Luis Dantas

 

Quando Lúcio Costa imaginou a aplicação da Escala Gregária nestes espaços, ele tinha em mente a efervescência e o charme da rua do Ouvidor, da Champs-Élysées, da Times Square ou dos largos de Veneza. Um lugar ocupado por praças, travessas e ruas emolduradas com cafés, bares e boates, livrarias, teatros e cinemas. E enquanto o Conic ainda mirava esta concepção (perdendo-se no meio do caminho de modo a se tornar o que é), do outro lado do eixo, na Asa Norte, o Setor de Diversões já se assanhava com a nova moda, o shopping, nascendo como um centro comercial desde o primeiro tijolo.

 

 

Setor Comercial.

 

Aqui é onde Brasília mais assemelha as outras cidades, lembrando os velhos centros metropolitanos brasileiros com seus prédios, galerias, self-services, lojinhas e praças (Praça do Povo, Praça Central e Praça dos Artistas). Com gente atravessando cada rua e esquina o dia inteiro, num fluxo interminável de gente.

 

Ao mesmo tempo, tão diferente do Setor Comercial Norte, mais ao estilo dos novos centros financeiros, onde prédios altos e espelhados se exibem isolados uns dos outros, cada um segundo uma nova moda arquitetônica. Lugar que onde a escala gregária pouco pegou, trocando os pedestres por estacionamentos e shoppings.

 

 

[1] Fonte: Lúcio Costa em  Relatório do Plano Piloto de Brasília, 1956.

 

 

Outros artigos:

 

A Escala Monumental de Brasília.

 

A escala bucólica e os parques de Brasília

 

A poesia oculta no projeto de Brasília.

 

A superquadra modelo de Brasília.