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O que é a Escala Monumental de Brasília? Podemos decifrar o enigma apenas entendendo o significado do jargão “escala”, que  na arquitetura é utilizado para indicar dimensão. Logo, estamos falando da parte da cidade imaginada para ser superlativa, magnífica, “a imagem da minha insônia” como escreveu Clarice Lispector, “o espanto” como defendeu Niemeyer e simplesmente “monumental” como planejada por Lúcio Costa.

 

A Escala monumental se estabelece desde a Praça dos Três Poderes até a Praça do Buriti, sendo o “supra-sumo da expressão arquitetônica moderna brasileira, que obedece a um conceito ideal de pureza plástica, onde a intenção de elegância – firme e despojada – está sempre presente.” [1]

 

 

A escala imaginada por Lúcio Costa.

EscalaMonumental

A Praça dos Três Poderes. Imagem de FRANCISCO DOMINGOS Francisco por Pixabay

 

O urbanista quando imaginou Brasília, deu ao brasiliense uma casa sob medida para o humano: a superquadra. E não o quis vivendo solitário, daí a criação de uma escala gregária para o convívio. Lugar onde as pessoas se encontram. Toda margeada por uma escala bucólica, vivendo-se em uma cidade-parque. E é aí que finda o homem. A escala monumental não é para o indivíduo, é simbólica e coletiva. É para a massa.

 

Ali se endereçou os poderes constituídos do Estado. Os palácios, os museus, ministérios e até a catedral. Nenhum prédio da Capital Federal ultrapassa a altura dos anexos do Senado e da Câmara. Nenhuma estrutura chega mais perto do céu que a Torre de TV. Nenhuma beleza se faz mais extraordinária que o conjunto monumental, tudo aqui é superlativo.

 

 

A cidade dos postais e dos filmes.

 

A Escala Monumental é a Brasília dos cartões postais, a nossa imagem consolidada em todo o mundo, o cartão de visitas da Capital Federal. É a vida que acontece ao longo do Eixo Monumental, lugar para grandes aspirações e para o poder constituído.

 

Entre seus edifícios mais notórios destacamos o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal localizados na Praça dos Três Poderes, sob a sombra do enorme mastro da bandeira. Lugar do Panteão da Pátria também. Na Praça do Buriti temos as representações dos mesmos poderes em nível distrital, com o Palácio do Buriti, Câmara Legislativa e o Tribunal de Justiça.

 

Na Esplanada temos os Ministérios, a Catedral Metropolitana e a Cúria. Nos arredores dela temos diversos tribunais superiores com uma arquitetura cheia de pompa, bem como o complexo Cultural da República, onde se encontram o Museu, o Teatro e a Biblioteca.  A Escala Monumental se completa com a Rodoviária de Brasília, a Torre de TV, o Estádio Nacional e o Centro de Convenções.

 

 

O impacto da Monumentalidade.

Escala Monumental de Brasília

Catedral de Brasília. Imagem de David Mark por Pixabay

 

Passeando pela escala monumental nos sentimos pequenos pela dimensão humana e efêmeros diante do eterno. Somos convidados a ficarmos impressionados. E neste sentido, Brasília é cidade exibida, quase narcisista, impactando pelo intangível de proporções absurdas, pela gravidade que é desafiada pelo peso do concreto que aqui flutua, como se a leis da física não se aplicassem.

 

Diante dessa magnitude, Clarice Lispector traduziu a monumentalidade como a imagem da insônia, “mas a minha insônia não é bonita nem feia – minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério.” [2]

 

 

 

[1] Fonte: Arquitetandoblog

[2] Fonte: Brasília: Esplendor de Clarice Lispector.

Imagem destaque por erleyresendesilva por Pixabay

 

 

 

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