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Para abordarmos a importância da ética empresarial em nosso cotidiano é preciso compreender primeiro que não é possível separar a conduta da empresa dos valores com os quais ela se compromete. Ética é algo que tem que estar enraizado na cultura interna da organização e na forma como ela interage no contexto social. Afinal, ética se origina do termo grego ethos, que significa “modo de ser”, “caráter”, “costume”, “comportamento”. É bem mais profundo do que uma política de atuação, é algo que está no DNA da corporação.

 

Embora nenhuma empresa se declare antiética ou se estruture em valores duvidosos ou questionáveis, é a falta de formação e capacitação dos funcionários e colaboradores neste campo que abre a porta para um relativismo moral que com o tempo acaba debandando para atitudes reprováveis. Isso porque a ética é uma reflexão crítica da moralidade, cuja pretensão não é a de definir normas, mas sim princípios.

 

E em uma época em que as pessoas passaram a “comprar” reputação, ou seja, levam em conta na sua decisão de compra o bom histórico de atuação de uma marca, qualquer deslize pode custar caro à imagem e aos negócios.

 

 

Compliance.

Compliance

O compliance é a instrução que guia o gestor para agir em conformidade.

 

Quando falamos em compliance estamos dizendo sobre agir de acordo com uma regra (to comply), realizando uma instrução, comando ou um pedido em conformidade com os regulamentos internos e externos aos quais estamos submetidos. Isso é estar em “compliance

 

Contudo, o contexto do mercado evoluiu de tal forma que demandou que a atividade “compliance” se tornasse uma posição que extrapola normas e políticas, incluindo também os processos e sua gestão. Tornado-se, assim, o que chamamos hoje de programa de compliance.

 

Esses programas de compliance têm por objetivo três finalidades básicas:

 

“1. Prevenção de desconformidades;

 

2. Monitoramento, para detecção se as políticas e procedimentos estão cumprindo as suas finalidades e/ou se precisam ser adequadas (o que implica em extinção, criação ou alteração de normas internas);

 

3. Reação às desconformidades encontradas, em especial porque várias legislações concedem benefícios às empresas que auxiliam na descoberta e correção de ilícitos que ocorram em suas dependências.” [1]

 

Desta forma, uma empresa para manter a integridade dos negócios precisa estar em conformidade com as políticas de ética da organização.

 

 

 

Então, por que a ética empresarial é tão importante?

Compliance

A ética empresarial contempla os princípios que guiam a conduta do profissional.

 

“A importância da ética nas empresas cresceu a partir da década de 80, com a redução das hierarquias e a consequente autonomia dada às pessoas. Os chefes, verdadeiros xerifes até então, já não tinham tanto poder para controlar a atitude de todos, dizer o que era certo ou errado.” [2]

 

Era preciso determinar princípios que orientassem a conduta dos colaboradores, de forma que essa autonomia não servisse de desculpa para alguém tomado pela ambição de ascender rápido nos quadros da empresa se valesse de atitudes reprováveis para a realização de negócios, resultando em consequências graves para toda a organização.

 

Quando os quadros de uma corporação são mobilizados com princípios e valores claros, os resultados são muito mais objetivos e ordenados, padronizando a atuação dos empregados em conformidade com a cultura empresarial. O que permite a cada pessoa mostrar a sua capacidade profissional atuando em igualdade de condições com o resto da equipe, sem se preocupar se um colega está trapaceando. Algo que até aumenta a motivação do grupo.

 

Outra vantagem da ética empresarial é que ela é reconhecida e valorizada pelo cliente e pelo mercado, construindo uma relação de confiança com públicos externos. Isso agrega valor na reputação corporativa, atraindo clientes conscientes e fidelizando-os.

 

 

Consequências da falta de ética empresarial.

 

Compliance

O compliance une a equipe para uma atuação ética em conjunto.

 

A primeira consequência desastrosa que a falta de ética empresarial acarreta em uma organização é a desconstrução da sua reputação. Seja desde a associação da marca a um pequeno delito até a um escândalo completo de corrupção, a imagem da empresa pode ser implodida do dia para a noite, impactando diretamente no valor do produto ou serviço ofertado.

 

Isso também gera a perda de parceiros importantes, seja porque não querem ser vistos associados a uma empresa de atuação duvidosa, ou porque deixem de acreditar nos compromissos firmado com a organização.

 

A última e pior grande consequência é a quebra da confiança com investidores e clientes. A empresa perde aí tudo aquilo que a mantém de pé, podendo resultar em falência.

 

 

Ética empresarial, uma agenda importante para toda a sociedade.

 

“Apesar dos avanços, ainda há muito para ser feito, especialmente em relação às pequenas e médias empresas (PMEs). Aquelas que faturam menos de 100 milhões de reais ao ano ainda não priorizaram a pauta em suas agendas, com apenas 20% das respondentes indicando adoção de mais de 15 das 30 práticas avaliadas. O número é muito mais expressivo se olharmos a porcentagem de adoção nas empresas com faturamento superior a 100 milhões: 53%.Se realmente quisermos virar a página e crescer como um país mais transparente e com forte governança, precisamos qualificar toda a cadeia produtiva brasileira. Não importa o tamanho da empresa, não importa a região onde ela atua.

 

O esforço deve ser contínuo e fortalecerá a credibilidade do nosso país e também a estrutura e a gestão das companhias, trazendo, inclusive, novas oportunidades de negócio. Não à toa, 84% das empresas respondentes acreditam na correlação entre a adoção de práticas de integridade e impacto positivo no resultado financeiro. Este é o caminho: a integridade passa a ser muito mais do que uma ferramenta. É um ativo que gera valor às organizações, tornando-se peça fundamental da nossa cultura de negócios.” [3]

 

 

 

[1] Fonte: Cartilha Espaço Y – O que é compliance, desenvolvida pela Marques & Bittar Advogados.
[2] Fonte: JACOMINO, D. Você é um profissional ético? Revista Você, São Paulo, n.25, p.28-39, jul.2000, p.29
[3] Fonte: Revista Exame. Compliance: uma agenda para o Brasil.