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O Japão é um país industrializado que demanda uma enorme produção de energia para funcionar. Para comparação, o país, com quase 130 milhões de habitantes, consome anualmente quase o dobro da eletricidade que o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes. Contudo, sendo um país muito dependente da energia gerada por fontes fósseis, abriu espaço para outras fontes energéticas como a solar quando uma catástrofe mudou tudo em 2011.

 

Por isso, a partir de 2012, o Japão começa uma revolução por meio do programa de garantia de compra e de preço de energia gerada por fontes renováveis, incentivando que toda a sociedade investir em energia proveniente de fontes renováveis.

 

Saiba como se deu essa revolução da energia solar no Japão a partir dos relatos de Bruno Suzart, gerente nacional Brasil da Shizen Energy Inc., e de Hiroki Koga, gerente geral do Departamento de Negócios Internacionais, também na Shizen Energy Inc., empresa japonesa que atua no desenvolvimento, construção, operação e manutenção de usinas fotovoltaicas.

 

 

O início da mudança.  

 

Devido a um grande terremoto seguido de uma tsunami em 2011, ocorreu um acidente na usina nuclear Fukushima Daiichi, o que levou ao desligamento de 54 usinas de geração de energia nuclear no Japão. O episódio abriu espaço para outras fontes energéticas mais seguras garantissem o fornecimento de eletricidade para o país.

 

O acidente levou o governo Japonês a desenhar diversas estratégias para a expansão e diversificação da matriz de geração de energia do país, criando em 2012 um programa de garantia de compra e de preço de energia gerada por fontes renováveis. O programa, que garante contratos de compra de energia com preços fixos por 20 anos, inclui a energia solar fotovoltaica.

 

Assim, com a implementação deste programa é que se inicia o desenvolvimento da energia solar no Japão. Em 7 anos, o país se tornou mais auto suficiente em energia, e evoluiu sua matriz de geração para fontes mais renováveis. Atraindo mais de 150 bilhões de dólares em investimentos no setor desde 2012, criando milhares de empregos.

 

Hoje, o Japão já gera eletricidade em níveis próximos aos de 2011, quando do acidente em Fukushima, mesmo sem as usinas nucleares que representavam aproximadamente 30% da produção total de energia do país.

 

 

A energia solar se consolida como fonte renovável.

 

Depois do acidente em Fukushima, surgiram no mercado algumas empresas que ajudaram a criar a revolução na matriz energética do Japão. Entre elas, a Shizen Energy Inc. decidiu que era hora de impulsionar a transformação da matriz geradora de energia japonesa em uma matriz mais limpa e renovável. Segundo a empresa, o foco em energia solar fotovoltaica no início da operação fez sentido por que o desenvolvimento e construção dos projetos são relativamente rápidos.

 

Além disso, o programa de garantia de compra e de preço de energia gerada por fontes renováveis do governo japonês foi um grande incentivo, pois os preços praticados eram atraentes para os desenvolvedores, que se engajaram no desenvolvimento e construção de mais de 43 GW em capacidade instalada de usinas de geração fotovoltaica desde 2012. Para colocar em perspectiva, isso representa cerca de três vezes a capacidade instalada em Itaipu.

 

A Shizen Energy Inc. teve papel importante nesta revolução. Hoje, a empresa ocupa uma posição entre os líderes desenvolvedores de plantas de energia solar no Japão, com ampla experiência e histórico de projetos bem sucedidos em vários países asiáticos.

 

 

O legado da revolução da energia solar no Japão.

 

Com a evolução da tecnologia de geração de energia solar fotovoltaica, o Japão está caminhando para chegar a um ponto em que é possível gerar energia elétrica a partir da fonte fotovoltaica de forma mais barata do que se gerada pela queima de carvão.

 

Este é um marco importantíssimo para a transformação da matriz geradora de energia do Japão em um sistema mais renovável e limpo. Principalmente porque o programa de garantia de compra de energia que iniciou o desenvolvimento da tecnologia no país chegará ao fim em breve, embora seja substituído por outros tipos de incentivos como linhas de crédito, leilões, e etc.

 

Nos últimos anos, a tendência no Japão tem sido de aumento tanto da quantidade de acordos corporativos bilaterais de compra de energia, incluindo solar fotovoltaica, quanto um aumento expressivo na quantidade de indivíduos interessados no varejo de energia renovável e limpa. O que mostra que há um grande mercado em construção, que no futuro poderá tornar a energia solar fotovoltaica uma das fontes primárias de geração de energia do Japão.

 

 

Como essa revolução pode influenciar o Brasil.

 

O Brasil provavelmente nunca contará com um programa de fomento como ocorreu no Japão. Mas garantir um futuro baseado em fontes de energia renováveis não é uma tendência exclusivamente japonesa, mas sim mundial.

 

No Brasil, alguns dos maiores incentivos para a instalação de sistemas fotovoltaicos são realidades de mercado, como a abundância de terras a custos relativamente baixos, alta irradiação solar e grandes distâncias entre os maiores centros de consumo de energia.

 

Com a energia solar é possível descentralizar e democratizar o acesso à geração de energia. Além disso, as comunidades geradoras de energia podem aproveitar os benefícios econômicos que eram concentrados por grandes ativos de geração de energia em locais isolados.

 

Acreditar e investir no segmento é o primeiro passo para a revolução energética brasileira. Por isso a Espaço Y uniu forças com Shizen Energy Inc. para formar a Fazsol Energias Renováveis. Trazendo para o Brasil todo o aprendizado de quem é líder na área de desenvolvimento de projetos, construção, operação e manutenção de ativos de geração de energia renovável no Japão.

 

 

Fazsol Energia

Bruno Suzart é internacionalista formado pela Universidade de Brasília em 2013, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Tsinghua, em Pequim. Bruno ocupa a posição de gerente nacional Brasil da Shizen Energy Inc. Anteriormente, Bruno era responsável pelo desenvolvimento de negócios de EPC da empresa, no Japão.

 

 

Shizen Energy

Hiroki Koga é formado pela Universidade de Keio, no Japão. É Gerente Geral do Departamento de Negócios Internacionais na Shizen Energy Inc., em que já foi Gerente Geral de Novos Negócios, tendo atuado no desenvolvimento e construção de usinas fotovoltaicas, e no M&A de projetos totalizando mais de 50 MW instalados.

 

 

 

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