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A água depende como nunca da ecoeficiência da indústria. Em 2025, 2,7 bilhões de pessoas [1] deverão sofrer com a falta de água e somente uma “revolução azul” poderá diminuir o impacto dessa catástrofe na vida de um terço da população da Terra. Se o mercado como um todo não despertar para as atitudes industriais que se baseiam na sustentabilidade, a água vai faltar e as consequências disso é maior do que você imagina.

Hoje, menos de 3% da água no mundo é potável e apenas 0,25% desse total está acessível, lembrando que parte desse suprimento de água está ameaçado por diversos tipos de contaminação. E segundo o  relatório da Agência Internacional de Energia Nuclear (IAEA) publicado pela ONU, a escassez poderá resultar em conflitos regionais. “Para a Organização das Nações Unidas, a água será causa número um de guerras na África até 2030. Esse será um dos principais motivos que levarão países e grupos armados a entrarem em conflito nos próximos 25 anos.” [2]

Os números são dramáticos! “As implicações da crise da água serão extremas nas regiões mais pobres do mundo, já que sua população depende da agricultura para sobreviver. E a agricultura consome cerca de 70% da água disponível no planeta.” [3]

Por isso o consumo consciente de água depende tanto do desenvolvimento sustentável e de práticas voltadas para a ecoeficiência.

 

 

Desenvolvimento sustentável.

Dia Mundial da água

É preciso pensar o mundo de forma sustentável. Imagem: FreePik

 

Segundo o documento Nosso Futuro Comum (Our Commom Future), também conhecido como relatório de Brundtland, o desenvolvimento sustentável é o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.”

 

Em outras palavras, é preciso repensar toda a cadeia de produção e de consumo para se deixar como legado às futuras gerações um mundo sustentável, capaz de usufruir dos recursos naturais sem exauri-los.

 

 

Ecoeficência.

 

O conceito de ecoeficiência é derivado diretamente do conceito de desenvolvimento sustentável. Segundo o World Business Council for Sustainable Development- WBCSD (Conselho Empresarial. Mundial. para o Desenvolvimento Sustentável), a palavra ecoeficiência é a combinação entre economia, ecologia e eficiência, portanto, uma eficiência econômica e ecológica. O conceito pode ser entendido como: “…alcançar com preço bom e competitivo, serviços que satisfaçam as necessidades humanas, trazendo qualidade de vida, enquanto progressivamente reduz os impactos ecológicos e a intensidade de recursos durante o ciclo de vida, para um nível em sintonia com a capacidade estimada da terra”.

 

Isto é, são soluções mais inteligentes e criativas que tornem viável uma oferta de produtos e serviços a preços justos, ao mesmo tempo em que reduzem o impacto ambiental na gestão de recursos naturais decorrente da sua produção.

 

 

Ecoeficiência na construção civil.

Dia Mundia da Água

A ecoeficência depende de uma reinvenção do mercado. Imagem: FreePik

 

“A preocupação com a sustentabilidade tem levado a construção civil a edificar cada vez mais prédios verdes, com projetos que buscam de alguma forma minimizar a perda de recursos naturais. Entre os maiores desperdícios, contudo, está um dos mais importantes patrimônios da humanidade: a água”, comentamos no artigo “Nem tudo que vai por água abaixo está perdido”.

 

A água é matéria-prima para o concreto, recurso básico de qualquer obra. E a falta dela foi duramente sentida nos canteiros de obra durante a crise hídrica recente, quando o corte do fornecimento paralisou diversos empreendimentos.

 

O reúso e o reaproveitamento da água na indústria da construção acabou se tornando um dos temas prioritários. É preciso ser mais sustentável. As construtoras brigam em duas frentes distintas: primeiro buscando desenhar metodologias de construção que reduzam o desperdício de recursos durante a obra; e segundo, projetando edifícios sustentáveis nas demandas do cotidiano.

 

O ecodesign combinado à ecoeficiência tem permitido a edificação de empreendimentos bem mais integrados com o meio-ambiente, recorrendo ao uso de green wall por meio do reaproveitamento da água de chuveiro, a implantação de projeto paisagístico abastecido por água captada da chuva, só para citar alguns exemplos.

 

 

Ecoeficência: um investimento que vale a pena. 

 

As construções sustentáveis demandam, em média, um investimento de 5% a mais que o de uma construção padrão. Todavia, a médio e longo prazo, a economia com água e energia chega a 30%, compensando o custo.

 

Além disso, projetos voltados para a ecoeficiência têm resultado em empreendimentos com maior conforto, comodidade e beleza, tornando-os mais competitivos na hora da venda. Ou seja, aos poucos, a tecnologia, a engenharia e o design tem desenvolvido soluções ecoeficientes viáveis comercialmente e que agregam ainda mais valor ao produto.

 

Da parte do cliente, é preciso ter a consciência dessa revolução e também fazer a sua parte mudando seus hábitos de consumo. Pequenas atitudes terão grande impacto no futuro próximo (veja algumas dicas neste video), e somente com uma mudança de comportamento de todo o mercado, empresas e consumidores, poderemos legar um mundo melhor e com água suficiente para as próximas gerações.

 

[1] Fonte: Relatório redigido pela Agência Internacional de Energia Nuclear (IAEA), entidade da ONU.

[2] Fonte: Jornal Estado de São Paulo

[3] Fonte: BBC