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Dizem que o brasiliense é feito de cabeça, tronco e rodas. Se antes o dito remetia à dependência que o morador de Brasília tinha do automóvel, talvez agora isso reflita sua busca pela liberdade de pedalar para qualquer lugar. Em outras palavras, o homem modernista evoluiu. E já que ainda não dá para ir a pé, agora se ele adapta às longas distâncias das avenidas virando um indivíduo composto de cabeça, tronco e duas rodas.

As ciclovias de Brasília são uma das maiores do Brasil. Em 2017 já eram 420 quilômetros [1] conectando ruas, quadras e bairros, abrindo caminho para os ciclistas percorrerem trajetos cada vez mais longos pelo Distrito Federal. Sendo 355,7 quilômetros de ciclovia, 7,6 quilômetros de ciclofaixa e 56,8 quilômetros de acostamento ciclável. Em 2018 haviam obras para mais 218 quilômetros de expansão.

Porém, apesar do crescimento exponencial das ciclovias e ciclofaixas, a Capital Federal ainda pedala com rodinhas quando o assunto é a adesão à esta alternativa de mobilidade. Hoje contamos com apenas uma bike para cada dez habitantes [2]. À primeira vista parece até bastante, mas a verdade é que estamos longe da realidade dos protagonistas mundiais no emprego de bicicletas para a mobilidade.

Um pouco dessa timidez, ou lentidão, ao se trocar o carro pela bicicleta vem do medo que muitos brasilienses têm de pedalar pelas vias do DF. Há motivo, e não sem fundamento. Não dá para ignorar a imprudência de muitos motoristas que resultaram em acidentes graves e fatais envolvendo ciclistas.

No entanto, mesmo contabilizando mais de 700 mortes de ciclistas desde o ano 2.000 [3], o número de mortes vem caindo consideravelmente. Se entre 2003 e 2006 morreram em média 60 pessoas pedalando, com quase uma morte por semana, em 2016 foram 19 e em 2017 foram 11.

O que muitos não entendem é que uma maior quantidade de gente pedalando ajuda a aumentar a segurança para todos, com os ciclistas ocupando em definitivo o seu espaço.

 

Uma alternativa de mobilidade.

Mobilidade Urbana

O brasiliense vai aos poucos aderindo à bicicleta. Imagem: Free Pik

 

“Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios 2015-2016 (PDAD-DF), há 388.637 bicicletas, mas apenas 1,22% das pessoas a usam como meio de transporte para ir ao trabalho — e, dessas, 70% se locomovem dentro da própria Região Administrativa, 12%, no Plano Piloto e 18%, em outras localidades [2].”

Os números revelam que não bastam apenas ciclovias para que uma pessoa troque o carro por bicicleta. É preciso uma infraestrutura quem contemple todas as etapas do ato de pedalar. Por exemplo, ao se locomover de bicicleta, o indivíduo transpira com o exercício necessário para por a bike em movimento, necessitando de um lugar no seu destino para a higiene. Só que a maioria dos endereços de Brasília ainda não acordaram para esta demanda.

É preciso também de um lugar para estacionar a bicicleta com segurança e armário para se guardar o capacete e outros acessórios de segurança. Entendeu a complicação?

Mas não desanime! Apesar das dificuldades, muitos brasilienses já desenvolveram rotinas adequadas ao hábito de pedalar, ou reivindicaram mudanças no trabalho e em outros ambientes que os permitissem se locomover de bicicleta.

 

Turismo em duas rodas.

Mobilidade Urbana

Já pensou em conhecer Brasília pedalando? Fonte: Free Pik.

 

Iniciativas criativas vêm integrando a velha bicicleta ao cotidiano brasiliense. Uma delas é o turismo na cidade por meio de uma bike tour na zona central. Ideia organizada tanto pela Experimente Brasília quanto pela Camelo Bike Tour, que oferecem o serviço tanto para que visita a cidade quanto para quem já é de casa.

Fazer um desses passeios é uma forma descontraída de se familiarizar com as ciclovias de Brasília, de modo a perceber como é tranquilo e gostoso trafegar por estes caminhos alternativos da Capital Federal.

 

Pedalar, hábito de uma cidade inteligente.

 

Conforme falamos em um outro artigo sobre cidades inteligentes, Brasília apareceu em segundo lugar em mobilidade no Ranking Connected Smart Cities 2018. E um dos destaques para a conquista desta posição foi exatamente este movimento silencioso (e inteligente) que o brasiliense tem feito ao abandonar as quatro rodas para andar com apenas duas, mobilizando cada vez mais gente para o ciclismo. Mas, e você? Já pedalou hoje?

 

 

[1] Fonte: Matéria
[2] Fonte: Matéria Correio Braziliense
[3] Fonte: Detran-DF.