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Athos Bulcão está na moda. Na decoração das paredes dos apês mais descolados, em utensílios de design e em diversos materiais gráficos. E virou moda. Inspirou uma das grandes coleções de Ronaldo Braga, renomado estilista brasileiro, encantando a passarela do São Paulo Fashion Week. Sim, Athos Bulcão está em todo lugar.

Alguém poderia até torcer o nariz para isso, dizendo que essa massificação da obra do artista banaliza seu conteúdo. O que faria sentido se a ele se aplicasse o conceito de “aura” criado por Walter Benjamin em seu ensaio “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica”, no qual o filósofo defende que os elementos únicos de uma obra de arte original se perdem com sua reprodução, sendo a aura a sua autenticidade, por ser peça única1.

Mas a obra de Athos é uma arte que nasce junto de uma cidade, extrapola molduras e vira uma exposição à céu aberto. Uma arte originalmente massificada para atender à demanda que urgia dos canteiros de obra. E, por isso, muito mais do que uma arte, virou a própria identidade visual de Brasília.

É possível dar uma volta nesse museu a céu aberto seguindo a “Rota dos Azulejos” cuidadosamente elaborada pela equipe do Experimente Brasília2, conhecendo in loco diversas obras perfeitamente integradas ao espaço urbano.

Arte que dá cor e volume às esculturas de Niemeyer, que decora as superquadras de Lúcio Costa. Como diria o saudoso arquiteto Lelé, “como pensar o Teatro Nacional sem os relevos admiráveis que revestem as duas empenas do edifício, ou o espaço magnífico do salão do Itamaraty sem suas treliças coloridas?3“. A arte de Athos Bulcão é a roupa que veste Brasília, que dá personalidade própria aos seus edifícios e que agora volta às ruas em pequenos gifts, bolsas, lenços, camisetas, capinhas de celular e tatuagens.

 

Painel Instituto Rio Branco

Painel Instituto Rio Branco Athos Bulcão

 

Se a arte de Athos estivesse na parede de um museu, talvez fosse esquecida pelas gerações mais novas, distante e endeusada como se tornou as telas de Portinari, o mestre a quem Athos veio substituir em Brasília por não ter conseguido acompanhar o rítimo da nova capital. No entanto, seus belos azulejos geométricos estão “debaixo do bloco”, nos salões das autoridades, na fachada dos monumentos, no congresso nacional, nos hotéis, nas escolas, igrejas e na vida do brasiliense. Sim, Athos Bulcão está na moda e está em todo lugar.

 

[1] Walter Benjamin em "A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica".
[2] Saiba mais em www.experimentebrasilia.com.br
[3] Fonte: site Fundação Athos Bulcão www.fundathos.org.br