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A flora do cerrado é composta por árvores adaptadas à abundância de águas da estação das chuvas e a escassez imposta pelo período da seca. Tão diversas em forma e beleza, a maioria dessas espécimes compartilham ao menos uma característica marcante: quando florescem, enchem Brasília de cores e contagiam todos ao seu redor.

 

E por se tratar de uma flora muita diversificada, falar das plantas do cerrado poderia tomar horas de leitura e de informações. Por isso, vamos nos limitar apenas a comentar as árvores símbolo do nosso cerrado, o Buriti e os Ipês, que já são do cotidiano de todo brasiliense, fazendo a fama de nossas flores, coloridas e singulares, a ponto de Caetano Veloso dizer em verso e poesia que “da próxima vez que eu for a Brasília, eu trago uma flor do cerrado pra você.” [1]

 

 

Buriti.

Buriti

Buriti na praça em frente ao Poder Executivo de Brasília.

 

 

O Buriti é uma palmeira aquática que ocorre nas savanas, típico nas veredas do cerrado brasileiro.

 

Há um Buriti ícone no coração de Brasília, reinando solitário na praça em frente ao palácio homônimo, sede do poder executivo local. Chegou ali em 1969, a pedido do pioneiro Israel Pinheiro. E embora já tivesse mais de 300 anos quando suas raízes calçaram o solo brasiliense, quase morreu das machadas dadas por um vândalo em 1992, motivo de até hoje contar com os cabos de aço que o sustentam de pé.

 

O motivo de Israel Pinheiro sugerir o Buriti para aquele local foi o poema de Afonso Arinos de Mello Franco, que dizia como que em forma de profecia:

 

“Se algum dia a civilização ganhar essa paragem longínqua, talvez uma grande cidade se levante na campina extensa que te serve de soco, velho Buriti Perdido… Então talvez, uma alma amante das lendas primevas, uma alma que tenhas movido ao amor e à poesia, não permitindo a sua destruição, fará com que figures em larga praça, como um monumento às gerações extintas, uma página sempre aberta de um poema que não foi escrito, mas que referve na mente de cada um dos filhos desta terra.” [2]

 

Em dezembro de 1996, três anos após o decreto de tombamento, o Buriti foi declarado símbolo oficial do Distrito Federal por meio da Lei nº 1.282.

 

 

Ipê.

 

Em Brasília, encontramos até 08 variações espalhadas pela cidade. São elas: o Ipê-amarelo (Handroanthus serratifolia), o Ipê-amarelo-do-cerrado (Handroanthus aurea) e Ipê-amarelo-peludo (Handroanthus chrysotricha); também o Ipê-branco (Handroanthus roseo-alba), o Ipê-caraíba (Handroanthus caraíba), o Ipê-rosa (Handroanthus ipe) o Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosa) e, por fim, o Ipê-preto (Handroanthus impetiginosa).

 

Como citamos no artigo “Os Ipês de Brasília”, já falamos que “os ipês que encontramos no cerrado ( Tabebuia ochracea ) se caracterizam por possuir altura de 6 a 14 metros, sustentado por um tronco tortuoso de até 50 cm de diâmetro. E por ser uma caducifólia, perde as folhas entre o outono e o inverno ficando a madeira completamente nua.

 

Sendo que é na estação do frio que a árvore despida realiza seu espetáculo, surpreendentemente se vestindo toda com flores de cores radiantes. Colorido que em Brasília ganha maior vivacidade em contraste com a natureza árida do período de seca, criando uma composição visual extraordinária, dessas de roubar o fôlego.”

 

 

Proteção da Flora.

Árvores do Cerrado

Arte Árvores do Cerrado desenvolvida pelo Ibram.

 

“Em junho de 1993, foi publicado o Decreto nº 14.783 instituindo o tombamento das 12 espécies. Com a medida, elas ficam protegidas da extração e da exploração em área urbana, além da caiação (pintura à base de cal) e da fixação de placas nos troncos. “Na época, técnicos da secretaria do Meio Ambiente entenderam a relevância dessa flora para o Distrito Federal”, explica Paulo César Magalhães Fonseca, coordenador da gerência de Unidades de Conservação de Proteção Integral do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), sobre a escolha.

Algumas ganharam destaque por estar em solo brasiliense desde a construção da cidade, outras são valorizadas pela qualidade da madeira, pela folhagem ou pelos frutos. Fonseca esclarece que o decreto serviu para conscientizar os cidadãos sobre a importância da preservação: “As pessoas cortavam as espécies para construir casas, prédios e até mesmo sem motivo algum”. [3]

 

 

 

[1] Música “Flor do Cerrado” de Caetano Veloso.

[2] Trecho do poema “Buriti Perdido” de Afonso Arinos de Mello Franco.

[3] Fonte: Agência Brasília

 

 

 

 

Outros artigos:

 

O paisagismo de Burle Marx.

 

Como aproveitar Brasília no período de seca.

 

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