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Ser mãe é inquestionavelmente um papel nobre, que exige o amor maior desse mundo e a dedicação total a uma outra pessoa. É sacrificar tempo, esforço e sono, sempre com um sorriso, é entrega total ao ofício, mesmo quando já após uma jornada de trabalho todo dia.

 

A maternidade não é somente nobre, mas também uma arte. Com alma de artista a mãe não só cria um novo ser humano, mas tal qual o escultor mais dedicado também vai dando forma a essa nova criatura, moldando-a pacientemente para o mundo.

 

Trabalho que demanda envolvimento, proximidade e empenho, tornando a mãe uma mestra de primeira hora, aquela que ensina o primeiro passo, a primeira fala e o próprio amor. Ofício de tempo integral, o mais nobre de todos, e ao mesmo tempo tão difícil de conciliar com as outras atividades de mulher em um mundo moderno que já lhe pede tudo.

 

Não bastasse tanto, cada vez mais no Brasil, ser mãe é fazer tudo isso e sem ajuda. É cada vez maior o número de mães que se viram sozinhas.

 

 

Não é fácil ser mãe no Brasil.

 

“As mulheres que trabalham fora de casa dedicam 18,1 horas semanais às tarefas de casa, filhos e idosos, segundo a Pnad com base em dados de 2017. Homens desempregados ou inativos, por sua vez, dedicam apenas 12 horas semanais a essas atividades.

 

Para os homens empregados, a média é de 10,3 horas por semana. Já brasileiras fora do mercado de trabalho chegam a dedicar 23,2 horas aos afazeres domésticos em uma semana. Os números mostram que a responsabilização pelo lar cresceu entre as mulheres, mesmo quando elas estão inseridas no mundo do trabalho, o que evidencia o acúmulo de funções.”[1]

 

 

Mães solteiras e divorciadas.

Mães

Está crescendo o número de lares onde as mães se viram sozinhas.

 

Segundo o IBGE, mais de 80% das crianças têm como primeiro responsável uma mulher e 5,5 milhões não têm o nome do pai no registro de nascimento. [1] A mãe, seja solteira ou divorciada, é cada vez mais uma capitã solitária nas famílias brasileiras, provendo não só a gestão doméstica da casa e a criação dos filhos, bem como o sustento para que tudo isso seja viável.

 

Os lares brasileiros chefiados por mulheres passou de 23% para 40% entre 1995 e 2015. [2] Dados que revelam uma tendência cada vez maior de mães solteiras, que muitas vezes sacrificam a própria educação ao deixar a escola (quando a mãe é adolescente), ou a carreira profissional, ao visar uma opção mais imediatista de emprego que viabilize a sua renda, mesmo abaixo da sua qualificação.

 

Já em relação às mães que se divorciam do marido, em 1984 eram cerca de 10% do universo de casamentos, com 93.300 divórcios. Hoje o número saltou para 31,4% dos matrimônios em 2016 – com 1,1 milhão de uniões e 344.000 separações, resultando em mais famílias chefiadas exclusivamente pelas mães.

 

Um resultado direto disso é que a taxa de pobreza por família, medida pela linha dos US$ 5,5 por dia, é maior entre famílias compostas por mulheres sem cônjuge e com filhos. O indicador representa 57% desse universo, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2017 – SIS 2017, do IBGE.

 

“A chance de ser mãe solteira na periferia é até 3,5 vezes maior do que no centro expandido de São Paulo. Segundo o levantamento, a probabilidade de uma mulher em áreas periféricas ter um marido para ajudar a cuidar dos filhos é praticamente a metade. “Nesses lugares, a família nuclear tradicional não é a regra, mas a exceção. Apenas 39% das mães em idade fértil do Jardim Ângela, um dos bairros de menor renda da capital paulista, estão casadas. Além das 53% de solteiras, há 5% de separadas e 2% de viúvas.”[3]

 

 

Matriarcas.

 

Muitas matriarcas ainda são responsáveis pelo sustento de filhos e netos. Hoje os avós sustentam 12 milhões de famílias no Brasil, sendo a principal ou única fonte de renda nessas casas. Sendo que os idosos aposentados se destacam como maiores responsáveis pela dinâmica da economia na maioria dos municípios com até 20 mil habitantes no Brasil, o que representa mais da metade dos municípios brasileiros. [4]

 

Isso sem falar das matriarcas que além do sustento ainda acabam se tornando mãe dos netos, tendo a guarda das crianças por inúmeros motivos, de modo que cabe a ela passar novamente por todo o processo de maternidade mas já sem o mesmo vigor da juventude.

 

 

Uma realidade construída no amor.

Mãe

É difícil ser mãe, mas é igualmente recompensador.

 

Não anda nada fácil ser mãe. Contudo, as mulheres não abdica da responsabilidade maternal e cheias de coragem constroem a própria família. Tendo muitos contratempos e percalços, é verdade, mas edificando uma realidade construída no amor.

 

 

[1] Fonte: Huffpostbrasil
[2] Fonte: IPEA
[3] Fonte: Estadão
[4] Fonte: Correio24Horas


Imagens do artigo: FreePik