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Embora as mulheres ainda sejam minoria no segmento da construção civil, aos poucos elas vão marcando presença entre engenheiros, gestores, arquitetos e em diversas funções nos canteiros de obras. Uma realidade que vem mudando bastante apesar dos preconceitos.

 

O primeiro passo para essa mudança é conscientizar as pessoas de que as mulheres têm plenas condições de atuarem no setor, como já ocorreu antes. Só para desmitificar este pensamento, apesar de quase só vermos “homens nas fotografias e videos que registraram a construção de Brasília, em 1959, cerca de 50% da população era de mulheres, sendo quase um terço de todos os trabalhadores, segundo o IBGE”. [1]

 

Neste artigo, vamos abordar um pouco a realidade das mulheres na construção civil, e como é para elas atuarem neste mercado.

 

 

Crescimento da participação das mulheres na construção civil.

 

“Segundo os dados do Confea, entre 1º de janeiro e 8 de agosto de 2017, 20.813 pessoas fizeram o registro no conselho na modalidade de engenharia civil. Destes, 14.971 eram homens e 5.842 eram mulheres. A presença feminina neste ano representou 28,1% do total de novos engenheiros e engenheiras com registro no órgão. Os dados do Censo mais recentes são referentes a 2015.” [2]

 

Se por um lado o número de engenheiras civis cresce de forma lenta, por outro, os canteiros de obras presenciaram um crescimento impressionante de 120% entre 2007 e 2018 [3], saltando de 109.006 trabalhadoras registradas em 2007 para 239.242 em 2018.

 

 

A presença feminina no cotidiano da construção civil.

Mulheres em canteiros de obras

Marta Barros, membro do Conselho da Espaço Y, analisando a planta do apartamento durante visita de rotina à obra do NEO Residências Modernas.

 

Embora ainda seja um segmento predominantemente masculino, isso não inibe que mulheres atuem no setor. “Existe muitos homens machistas no mundo e independente de profissão”, explica Kenya Dias César, engenheira civil da Atlântico Engenharia, que ama o trabalho nos canteiros de obras, mesmo já tendo passado por constrangimentos. “Respondo trabalhando”, ela complementa, “acredito que a situação vivida acontece independente da profissão”. 

 

“Acho que falta mais coragem na parte das mulheres para tirarem esse rótulo que é algo só para os homens, as mulheres podem tudo”, defende Larissa de Souza Braz, arquiteta da Elo, que não considera o seu ambiente de trabalho tão masculino atualmente, vendo muitas colegas seguindo o mesmo caminho.

 

 

Uma realidade em plena transformação.

Mulheres na construção civil

Larissa de Souza Braz, arquiteta da Elo.

 

Encontramos pelo Brasil diversos projetos que incentivam e capacitam mulheres para o segmento da construção civil. Exemplos disso são o Projeto Mão na Massa no Rio de Janeiro, que já capacitou mais de 1000 mulheres para o mercado, e o Mulher em Construção no Rio Grande do Sul, preparando mais de quatro mil mulheres.

 

Além de capacitá-las para diversas funções como ceramistas, pintoras, pedreiras, etc, ainda preparam estas mulheres para os desafios do dia a dia, desenvolvendo uma consciência social para lidar com as diferenças e oportunidades.

 

Em relação à conquista de equiparação salarial, uma luta atual das mulheres em muitos segmentos, a engenheira civil Kenya César comenta que “o mercado de trabalho fala muito de desigualdade salarial , mas no meu caso não passa por isso”, demonstrando que o reconhecimento do valor profissional independente de gênero já existe em várias empresas, embora não seja a regra. O que deve mudar os números de dois anos atrás, em que era observado uma diferença de 19% entre os salários pagos entre homens e mulheres na função de engenheiro civil. [4]

 

 

[1] Fonte: Artigo Mulheres que fizeram história em Brasília.

[2] Fonte: G1

[3] Fonte: IBGE

[4] Fonte: Instituto da Construção

 

 

Imagem em destaque: Acervo pessoal de Kenya Dias César, engenheira civil da Atlântico Engenharia.

 

 

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