fbpx

O consumismo desenfreado da segunda metade do século XX acumulou uma quantidade incomensurável de lixo em nosso planeta, criando um problema com o qual a humanidade não consegue lidar. E mesmo com todas as iniciativas para minimizar esse impacto como a coleta seletiva e reciclagem, a verdade é que a melhor saída para o excesso de lixo ainda é o consumo consciente.

 

Este longo período de consumismo iniciado no pós-guerra e alavancado principalmente após os anos 70, convenceu as pessoas de que tudo o que elas tinham era descartável. Era preciso renovar, melhorar, ter a última moda e a nova tecnologia. Felicidade era poder comprar.

 

E as pessoas compraram essa ideia. Comprando inclusive o que elas não precisavam, acumulando cada vez mais coisas e demandando maiores espaços para guardá-las. Só que o espaço acabou e o lixo não parou de aumentar, criando um problema comum a toda a humanidade.

O impacto do lixo.

 

A quantidade de lixo produzida atualmente é assustadora, chegando a 78,3 milhões de toneladas de resíduos somente no Brasil, segundo os dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

 

Um cenário que se agrava ainda mais ao sabermos que apenas  69,6% das cidades brasileiras realizam a coleta seletiva, sobrando 2,4 milhões de toneladas para serem depositadas em lixões, fonte inesgotável de contaminação do ambiente.

 

“Tudo que utilizamos em casa um dia vai virar lixo. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), descartamos aproximadamente 230.000 toneladas de detritos por dia. De todo esse lixo, apenas 2% é enviado para coleta seletiva, e o restante é descartado nos lixões a céu aberto, que já estão próximos do seu limite de capacidade.

 

Consumo consciente.

O lixo é um problema que só será resolvido com o engajamento de todos.

 

Hoje em dia, o aparelho público brasileiro é completamente despreparado para a técnica de reciclagem, assim como os próprios cidadãos. Falta instrução e conscientização quando se trata de reciclagem e descarte de lixo e, muitas vezes, não sabemos o que podemos fazer para contribuir nesse sentido.

 

O chorume, aquele caldo produzido pelo lixo orgânico, é dez vezes mais poluente que o esgoto, por ser proveniente de alimentos apodrecidos e conter substâncias químicas. Quando o lixo é descartado de forma inadequada, ele pode chegar aos lençóis freáticos contaminando o solo e a água.” [1]

 

A situação é alarmante e tende a piorar, porque pouco tem sido feito para combater a principal causa de tanto lixo, o consumismo.

 

 

Consumo consciente.

Consumo consciente.

Reciclar é muito importante para diminuir o impacto do lixo. Mas é o consumo consciente que fará a diferença.

 

“A humanidade já consome 30% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. Se os padrões de consumo e produção se mantiverem no atual patamar, em menos de 50 anos serão necessários dois planetas Terra para atender nossas necessidades de água, energia e alimentos.” [2] Esses dados reforçam a necessidade de se repensar o consumo hoje.

 

É preciso se reeducar para um consumo consciente, isto é, mudar a forma como a sociedade consome alimentos e produtos de modo a reduzir a demanda por recursos e a acumulação de lixo. Afinal, o nosso jeito de consumir impacta na transformação da sociedade e na sustentabilidade do meio ambiente. 

 

Essa reeducação é o desenvolvimento de uma consciência crítica em relação ao próprio consumo. É deixar de comprar por impulso e se questionar:

 

Por que estou comprando?

Eu preciso mesmo disso?

Eu preciso disso agora?

Será que não consigo emprestado?

Será que a quantidade que eu estou comprando não vai gerar desperdício?

Este produto é durável? Será que vou precisar substituir isso em pouco tempo?

Como vou usar o que eu comprei?

Como vou descartar o que eu comprei?

 

O consumo consciente é voltado para que a pessoa consuma aquilo que realmente precisa, sem desperdício, sem arrependimento e sem acúmulo. Consumir de forma consciente é também emprestar ou vender o que você não usa, descartar o que não serve mais para quem ainda precisa, além de reaproveitar de forma criativa aquilo que pode ser reaproveitado.

 

 

A onda minimalista e a economia compartilhada.

 

Desapegar-se, esta é a regra de ouro do minimalismo. Trata-se de uma forma de se viver em que “menos é mais”. É optar por um guarda-roupa enxuto, por espaços menores e pragmáticos, com poucos móveis e peças de decoração, visando facilitar o ir e vir da pessoa. Para alguns, chega até a se viver apenas com o necessário, com o que é essencial.

 

“Na última década, a geração millenial têm reagido ao perfil altamente consumista das gerações anteriores. E estando muito mais preocupada em comprar experiência em detrimento à posse, estas pessoas começaram a se adaptar a uma vida minimalista.

 

Para os millenials, o mundo digital substitui estantes, armários e escrivaninhas. Fazer compras não é terapêutico, é desperdício. E devido à consciência sustentável, desperdiçar está fora dos planos. Descartar, trocar ou compartilhar é que é a nova realidade. O apartamento é às vezes só local de pernoite e ás vezes é home office.   

 

Isso ilustra como a relação entre as pessoas e o espaço está mudando. Para uma geração desapegada que deseja viajar o mundo, um imóvel grande é um peso desnecessário e custoso para a vida. Eles preferem liberdade e dinheiro no bolso.”

 

Mas você não precisa ser minimalista para começar a se desapegar das coisas. Hoje, graças à economia compartilhada, é possível se ter acesso a diversos bens como bicicleta, ferramentas, carro, etc, sem a necessidade de se deter a posse do objeto. 

 

“Trata-se de uma revolução que chegou discreta, tal como uma resposta ao hiper consumismo das últimas décadas, e que já mudou a forma de muita gente lidar com as ferramentas do cotidiano. Uma modalidade muito mais inteligente de consumo.

 

Se antes era preciso ter uma bicicleta para pedalar, em muitas cidades agora é possível optar pelo uso de bikes compartilhadas. E não é só isso, a criatividade se tornou o limite para o que podemos dividir, emprestar e compartilhar de forma a facilitar o uso das coisas.”[4]

 

Veja nossos outros artigos sobre os 5 R’s para reduzir seu lixo, sobre minimalismo e sobre economia compartilhada.

 

Os 5 R’s para reduzir o seu lixo.

Vivendo em um mundo mais compartilhado

A verticalização das cidades e a vida minimalista dos millenials.

 

 

[1] Fonte: Catraca Livre

[2] Fonte: Ministério do Meio Ambiente.

[3] Fonte: Blog Espaço Y - Artigo: A verticalização das cidades
e a vida minimalista dos millenials.

[4] Fonte: Blog Espaço Y - Artigo: Vivendo em um mundo
mais compartilhado.

Imagens: FreePik