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Algumas pessoas têm chamado de “Primavera das mulheres”, outros dizem que é resultado da assimilação do feminismo pela sociedade, enquanto há quem prefira usar o termo  empoderamento. Independente da visão de cada um, uma coisa não pode ser ignorada: as mulheres tomaram o protagonismo para si.

E quando dizemos “tomaram” significa que está sendo por meio de uma luta mesmo, um confronto diário que acontece em ambientes domésticos e corporativos, nas ruas, nos costumes e nas relações interpessoais. Após séculos relegadas ao papel de coadjuvante, roubando a cena em momentos muito singulares como fizeram Marie Curie, Jane Austen, Amélia Earhart e Chiquinha Gonzaga, agora as mulheres clamam por equidade de direitos, oportunidades e reconhecimento. E não se engane, não se trata de uma luta por espaço, é uma luta por justiça.

O que é o feminismo?

 

O feminismo é um movimento de ideias, valores e políticas que tem como objetivo promover direitos iguais entre homens e mulheres. Muitos estudiosos apontam ainda no período do movimento de Caça às Bruxas o nascimento de uma consciência feminista. Outros apontam a existência de um pensamento protofeminista ainda anterior na Idade Média.

No entanto, sendo isso uma discussão em aberto ainda, temos por certo apontar no século XIX o primeiro grande movimento coletivo pelos direitos das mulheres com repercussão mundial, em que se debatia o sufrágio feminino, direitos trabalhistas e educacionais.

No Brasil, o feminismo desperta em 1832 com o livro Direitos das mulheres e injustiças dos homens, de Nísia Floresta, obra em que a autora denuncia o mito da superioridade do homem, mostrando que a mulher é tão capaz quanto o homem de assumir cargos de liderança e qualquer outra função.

Apenas 20 anos depois é fundado o Jornal das Senhoras. Era editado por mulheres e voltado para garotas que desejavam aprender mais do que piano, bordado e costura. Outras publicações similares se seguiram nas décadas seguintes, impulsionando os primeiros movimentos feministas brasileiros.

Esta história prosseguiu com muitos embates e sacrifícios, e assim como no resto do mundo, o movimento feminista brasileiro acabou obtendo inúmeras conquistas. Porém, muito mais do que um discurso da moda como alguns tentam fazer parecer, o feminismo nem sequer chegou ao seu objetivo original: a igualdade de direitos, oportunidades e tratamento com o homem. E por isso se mostra mais atuante do que nunca na sociedade.

 

O mundo está mudando. Mas muito devagar.

 

Em 1827, menos de 200 anos atrás, finalmente uma lei brasileira permitia que meninas frequentassem colégios e estudassem além da escola primária. E somente em 1879 foram autorizadas a ir para a faculdade. A primeira prefeita brasileira só foi eleita em 1928, enquanto o voto feminino só foi regulamentado em 1934, menos de 100 anos atrás.

As transformações em prol da mulher estão acontecendo, só que ainda de forma muito lenta. Daí a busca atual pelo empoderamento feminino, que nada mais é que o ato de conceder o poder de participação social às mulheres, de modo a se posicionarem em todos os campos sociais, políticos e econômicos.

“A transformação vem acelerando, embora ainda distante de terminar. Para se ter ideia, “em 1970 apenas 18% das mulheres brasileiras exerciam alguma atividade remunerada. Quarenta anos depois, segundo dados do IBGE, cerca de 53% das mulheres trabalhavam com carteira assinada. Apesar do avanço, em 2010 esse número ainda era 20% menor em relação aos homens. Ou seja, alguma coisa aconteceu, mas muitas outras ainda precisam mudar para que a sociedade se torne igual para homens e mulheres.” [1]

 

 

Os 7 Princípios de Empoderamento das Mulheres voltados para a comunidade empresarial.

O novo protagonismo das mulheres no mundo.

Os 7 Princípios de Empoderamento das Mulheres. Imagem: ONUmulheres

 

A ONU Mulheres, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a mulher, entendendo a importância do papel das empresas na promoção de condições mais justas de gênero, criou um conjunto de considerações que ajudam a comunidade empresarial a incorporar em seus negócios valores e práticas que visem à equidade de gênero e ao empoderamento de mulheres.

“Os Princípios de Empoderamento das Mulheres buscam apontar a melhor prática, trabalhando com a dimensão de gênero da responsabilidade, do Pacto Global da ONU e o papel do meio empresarial no desenvolvimento sustentável. Além de ser um guia útil para as empresas os Princípios procuram subsidiar outros stakeholders, incluindo os governos, em seu envolvimento com o meio empresarial.”[2]

A ONU Mulheres realiza o Prêmio WEPS Brasil – Empresas Empoderando Mulheres para incentivar e premiar programas e ações de promoção da cultura da equidade de gênero e empoderamento das mulheres no Brasil. E ainda promove parcerias técnicas com empresas engajadas em práticas relacionadas ao empoderamento feminino, como o o projeto #DonasdaRua da Turma da Mônica.

 

 

Projeto Donas da rua

O novo protagonismo das mulheres no mundo.

Legenda: Projeto #DonasdaRua. Imagem: Turma da Mônica.

 

Nas histórias em quadrinhos, a Mônica do Maurício de Sousa sempre foi protagonista. E entendendo a responsabilidade educacional que o estúdio possui por ser o maior produtor de conteúdo infantil do Brasil, a Maurício de Sousa produções em parceria com a ONU Mulheres, a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, iniciou o projeto #DonasdaRua com o objetivo de contribuir para que os direitos das meninas sejam respeitados, para que elas possam ser o que quiserem ser.

“O ponto central do projeto #DonasdaRua é produzir e agregar conteúdos que vão demonstrar, através de histórias e exemplos, como meninas do Brasil e do mundo podem exercitar seu direito de ser o que quiserem e entender melhor conceitos como empoderamento e igualdade de oportunidades.” [3]

 

O futuro da luta pela igualdade de direitos.

 

Como dissemos no início do artigo, as mulheres despertaram para o próprio protagonismo. Isso significa ocupar o seu espaço por mérito e por direito. Algo que se intensificou em indústrias de destaque como a cinematográfica, em que movimentos como o #metoo conseguiram escancarar a dominação masculina por meio de violência física e psicológica e o assédio às mulheres até então tolerados no meio. A repercussão disso refletiu em outros segmentos de negócio e continua aumentando.

São vozes que se fazem ouvir aos poucos numa sociedade acostumada a silencia-las. “A BBC publicou que, apesar da crença de que as mulheres falam mais do que os homens, há evidências de que ocorre o contrário. A historiadora Mary Beard documentou até que ponto os homens acreditam que são eles que têm de falar no espaço público, e um estudo, intitulado Silent Sex, afirma serem necessárias quatro mulheres para cada homem para que se conserve um certo equilíbrio no espaço comum. É famoso o estudo que demonstrou a escandalosa quantidade de vezes que Sonia Sotomayor, membro do Supremo Tribunal dos EUA, era interrompida por seus colegas.” [4]

Em outras palavras, dar voz às mulheres é dar espaço para uma saciedade mais justa.

 

 

[1] Fonte: mulherlider

[2] Fonte: movimentomulher360

[3] Fonte: Turma da Mônica

[4] Fonte: Jornal El País