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Os jardins de Roberto Burle Marx são pinturas modernistas que ao invés de tinta se valeram da flora brasileira como matéria-prima. Em Brasília, o paisagista se aproveitou da escala bucólica para tornar a cidade sua grande tela, pintando os mais belos jardins da Capital Federal. E por isso, Burle Marx se tornou parte essencial da alma brasiliense, ao lado das curvas de Niemeyer, do Plano Piloto de Lúcio Costa e dos azulejos de Athos Bulcão. Não é por menos que o mais novo parque da cidade, situado entre o Noroeste e a Asa Norte, o homenageie.

 

O arquiteto paisagista.

 

Roberto Burle Marx estudou artes plásticas influenciado por Matisse, Picasso e Van Gogh, mas cultivava suas próprias mudas de plantas desde os 8 anos, tendo se apaixonado de vez pela flora brasileira ao visitar uma estufa com vegetação tropical em um jardim botânico alemão.

 

Esta combinação se refletiu em seus projetos, realizando plantas baixas que mais pareciam telas abstratas, compostas com uma linguagem orgânica cujos espaços privilegiam a formação de recantos e caminhos por meio de elementos de vegetação nativa.

 

O modernista renomado.

Jardins de Burle Marx

Aterro do Flamengo. Imagem: Skyscrapercity

 

Vizinho de Lúcio Costa no bairro do Leme no Rio de Janeiro, foi colega de Oscar Niemeyer na faculdade e acabou se tornando um ícone internacional da arquitetura modernista junto com os dois.

 

Revoluciona o paisagismo brasileiro ao conceber o terraço-jardim do edifício Gustavo Capanema, ícone da arquitetura brasileira que viria a ser a sede do Ministério da Educação no Rio. Valendo-se de vegetação nativa distribuída em formas sinuosas, compôs o jardim com espaços contemplativos e de estar em uma configuração inédita mundialmente.

 

Ainda no Rio de Janeiro, realiza dois projetos que se tornam patrimônio cidade: o Aterro do Flamengo, que se extende do aeroporto Santos Dumont até a Praia de Botafogo, formando um épico complexo de lazer a perder de vista; e o calçadão de Copacabana, com as famosas ondas desenhadas com pedra portuguesa ao longa da orla.

 

 

As obras em Brasília.

Jardins de Burle Marx.

Vista aérea da Praça dos Cristais em frente ao QG do Exército em Brasília. Imagem: Google.

 

O inventor dos jardins modernos desprezou as flores exóticas que fizeram fama nos quintais do Brasil e abraçou a vegetação nativa com elegância e criatividade para compor alguns dos mais belos locais de Brasília.

 

Podemos citar nesta lista a Praça dos Cristais (no Setor Militar Urbano em frente ao QG do Exército), a Praça das Fontes (no Parque da Cidade), os jardins externos e internos do Itamaraty, o jardim externo do Palácio da Justiça, o jardim externo do Palácio do Jaburu, os jardins do Teatro Nacional e do Tribunal de Contas da União.

 

Além dos jardins para as embaixadas da Alemanha, Estados Unidos, Irã e Bélgica, Burle Marx realizou todo o paisagismo da 308 sul, sendo a superquadra modelo para todas as demais, embora ainda seja único e incomparável entre todas as superquadras de Brasília.

 

Outros projetos ficaram na gaveta dos governos passados. Um deles foi resgatado em virtude da Copa do Mundo, estando em execução desde 2013 em frente às fontes da Torre de TV. Pena que outros não tiveram a mesma sorte, como o projeto para canteiro central da Esplanada (ilustrado na imagem em destaque do post, pintura de Ilda Fuchshuber). Onde faltou Burle Marx em Brasília, hoje sobra concreto.

 

 

Imagem em destaque: Aquarela de Ilda Fuchshuber sobre projeto de Burle Marx.