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Os ipês não são exclusivos de Brasília e nem limitados ao cerrado, mas são tão intrínsecos à paisagem brasiliense que ocupam uma posição de destaque na flora da Capital. É a resposta da natureza ao concreto de Niemeyer, não no sentido de uma oposição, mas como um complemento que acolhe a arquitetura modernista e a expande.

 

É a árvore símbolo da cidade, tão ligada a identidade brasiliense como é a folha de bordô (Maple Leaf) para o Canadá ou as cerejeiras para o Japão. Feita da madeira torta que imita a vegetação do cerrado, o ipê se mistura a nossa paisagem como se daqui fosse original. Erguendo-se em direção ao céu para ostentar seus buquês coloridos que o fazem tão singular.

 

E embora os ipês não seja um privilégio de Brasília, é aqui que eles têm o palco perfeito para se destacar, casando tão bem com a cidade assim como goiabada combina com queijo, leite com café e Garrincha com Pelé.

 

 

Características dos ipês de Brasília.

Os ipês docerrado

Ipê rosa no cerrado.

 

Os ipês que encontramos no cerrado ( Tabebuia ochracea ) se caracterizam por possuir altura de 6 a 14 metros, sustentado por um tronco tortuoso de até 50 cm de diâmetro. E por ser uma caducifólia, perde as folhas entre o outono e o inverno ficando a madeira completamente nua.

 

Sendo que é na estação do frio que a árvore despida realiza seu espetáculo, surpreendentemente se vestindo toda com flores de cores radiantes. Colorido que em Brasília ganha maior vivacidade em contraste com a natureza árida do período de seca, criando uma composição visual extraordinária, dessas de roubar o fôlego.

 

E a estonteante beleza dos ipês floridos não é gratuita, nem vaidade da natureza, pois a árvore se vê em perigo em climas bastantes secos como o de Brasília e se esforça para atrair abelhas e beija-flores, ficando vistosa para garantir sua reprodução e assim se perpetuar.

 

 

Ipês por todos os lados.

 

Quem anda por Brasília se surpreende ao ver como a natureza se encaixou com a cidade, composta como um enorme jardim que preenche toda a escala bucólica. Contudo, não se engane, para termos tamanha beleza disponível pelos canteiros da cidade antes houve um trabalho colossal dos jardineiros.

 

Após a inauguração, Brasília era só a terra vermelha batida e muita poeira. Então entrou em ação o trabalho do Departamento de Parques e jardins (DPJ) da Novacap, que por anos teve que negociar com o cerrado o que floresceria por aqui. A primeira leva de árvores plantadas aqui, por exemplo, pereceram todas no início dos anos 70.

 

Um jogo de erros e acertos encabeçado por Ozanan Coelho, chefe do DPJ, que trazia as mudas e as testava para ver se pegava no solo ácido de Brasília. Graças a ele é que hoje temos um jardim florido a preencher toda a cidade e milhares de ipês plantados de forma planejada, propositalmente colocado em cada lugar onde os encontramos atualmente, de modo a se integrar com perfeição à paisagem urbana.

 

 

O colorido inefável dos ipês de Brasília.

Ipê do cerrado

Os ipês encantam o brasiliense quando florescem.

 

Podemos encontrar em Brasília cinco tipos de ipês diferentes: brancos, roxos, rosas, amarelos e os verdes, sendo estes últimos os mais raros. Esse colorido toma o horizonte da cidade nos meses de junho a agosto, trazendo vida ao período mais seco do clima, bem quando a grama perde a cor.

 

Nessa revolução de cores, o primeiro ipê a estrear é o roxo. Ele floresce de repente, sequestrando a atenção do brasiliense que se esbalda com as fotos e selfies. A ele se segue o amarelo, que divide a nossa admiração com o roxo no final de junho.

 

Em julho, a temporada dos ipês tem seu apogeu, colorindo quase toda a cidade. É quando chega o ipê branco, em menor quantidade em Brasília e cuja floração é rápida, durando apenas cinco dias. Depois disso as árvores se enchem de semente e seguem o seu ciclo reprodutivo, despedindo-se do colorido que transforma não só a paisagem, mas também o coração do brasiliense.

 

 

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