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“Meus Deus, mas que cidade linda”, cantava Renato Russo num dos seus versos memoráveis sobre a cidade que o acolheu na juventude. Mas não somente linda, Brasília é única em seus traços e curvas que emolduram um museu à céu aberto, nos parques e bosques que se integram à arquitetura monumental, na união de todos os brasileiros que aqui se encontraram e se conheceram.

 

Amar Brasília é fácil. Difícil é ficar indiferente. Com tantos atributos singulares, povoada por uma gente apaixonada, a cidade nos atrai pela beleza das fachadas e nos encanta com um caldeirão cultural que bate como um coração.

 

Brasília é grande, maior que a política e políticos, é a casa dos brasileiros, anfitriã de toda uma nação. Tão nova e já tão cheia de história. Terra de poetas, capital do rock e do chorinho, berço de grandes esportistas, atores e atrizes, artistas de todas as artes, joia do cerrado esculpida por Lúcio Costa, Niemeyer, Athos Bulcão e Burle Marx.

 

 

Cidade poesia.

 

Brasília é obra de um autor-poeta que não tinha a vaidade de criar uma capital, mas que também não podia deixar de dividir uma ideia autêntica que o encantou. Seu projeto podia ser um monte de rabiscos, mas submetido a um colega no trabalho, teve como resposta: “é rabisco e pulsa”. Este outro servidor público com quem dividia uma sala era ninguém menos que Calos Drummond de Andrade, nosso grande poeta moderno, e revisor do projeto do Plano Piloto.

 

Esse poema urbanista chamado Brasília “nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz”. [1] Traço que deu forma de avião à cidade, fazendo voar o conceito lúdico e inovador de sua ideia.

 

Poesia cujos versos rimaram com os prédios de Niemeyer, numa parceria que marcou época, tal como outras duplas de artistas contemporâneos a eles como Vinícius e Jobin, Lennon e McCartney, Pelé e Mané, só para citar algumas. Trazendo harmonia por meio de uma arquitetura feita de curvas de concreto, quebrando a monotonia do horizonte sem montes do cerrado.Curvas que no rabisco de Lúcio viraram tesourinhas, por onde desfila o trânsito da cidade com elegância como em um balé de carros a girar no vai-e-vém do cotidiano.

 

 

Cidade parque.

Paisagismo assinado por Burle Marx. Foto: Espaço Y.

 

“É assim que, sendo monumental, é também cômoda, eficiente e íntima. É ao mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional… Brasília, capital aérea e rodoviária; cidade-parque”. [2] Assim Lúcio Costa descrevia sua proposta de capital, uma cidade-parque e bucólica.

 

Brasília foi concebida a partir de quatro escalas. A monumental, que abriga os palácios e monumentos entre a Praça dos Três Poderes e a Praça do Buriti. A escala residencial, ilustrada pela superquadra feita de prédios sobre pilotis, em que “o chão é público – os moradores pertencem à quadra, mas a quadra não lhes pertence – e é esta a grande diferença entre superquadra e condomínio”. [3] A escala gregária, onde pessoas convivem nos pontos de encontro, representado pelos setores de convergência da população. E por fim, a escala bucólica, que permeia as demais com os gramados, jardins, paisagismo e árvores, que abraça a cidade por meio do Lago Paranoá.

 

A escala bucólica é a dimensão arquitetônica que garante ao brasiliense a existência de cerca de 72 parques no DF, sendo 33 abertos à visita do público [4], além de tantas outras áreas de deleite integradas ao meio-ambiente.

 

Além de tantos jardins, Brasília teve um toque de arte agregado à sua escala bucólica, graças às obras do maior paisagista brasileiro. Os jardins de Roberto Burle Marx são pinturas modernistas que ao invés de tinta se valeram da flora brasileira como matéria-prima.

 

Em Brasília, o paisagista se aproveitou da escala bucólica para tornar a cidade sua grande tela, pintando os mais belos jardins da Capital Federal. E por isso, Burle Marx se tornou parte essencial da alma brasiliense, ao lado das curvas de Niemeyer, do Plano Piloto de Lúcio Costa e dos azulejos de Athos Bulcão. Não é por menos que o mais novo parque da cidade, situado entre o Noroeste e a Asa Norte, o homenageie.

 

 

Cidade museu.

Brasília

A arquitetura única faz da cidade um museu à céu aberto.

 

Brasília é um museu à céu aberto. A começar pela arquitetura arrojada e sinuante de Niemeyer, cujas curvas desenhadas para a Capital Federal seduziram o mundo inteiro. Museus que se completa pela obra de Athos Bulcão, cuja arte que dá cor e volume às esculturas de Niemeyer, que decora as superquadras de Lúcio Costa. Como diria o saudoso arquiteto Lelé, “como pensar o Teatro Nacional sem os relevos admiráveis que revestem as duas empenas do edifício, ou o espaço magnífico do salão do Itamaraty sem suas treliças coloridas?“ [5]

Se a arquitetura de Niemeyer e a arte de Athos estivesse apenas nos livros ou na parede de um museu, talvez fosse esquecida pelas gerações mais novas. Distante nos manuais de arquitetura como os mestres modernistas de Niemeyer ou em galerias onde findou as telas de Portinari, o mestre a quem Athos veio substituir em Brasília. No entanto, os prédios do arquiteto e os azulejos geométricos do artista estão no cotidiano de todos, em todo canto, “debaixo do bloco”, nos passeios monumentais, nos salões das autoridades, nas escolas, igrejas e na vida do brasiliense.

 

Cidade do design.

Brasília cresce no mercado de design

Imagem: experimente brasilia_expo brasília design_paula carrubba

 

Desde de Niemeyer e de Athos Bulcão a cidade já revelava uma vocação inerente para o design. Agora, ao completar três décadas como Patrimônio Cultural da Humanidade, Brasília conquistou mais um importante título junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO: o de Cidade Criativa em Design.

 

Brasília entra definitivamente no mapa mundial da arquitetura, decoração, moda, arte de rua e design gráfico.

 

 

Cidade para se apaixonar.

 

Brasília é tudo isso e é muito mais ainda. Um lugar em que até o céu é especial, onde o pôr do sol é único, onde tudo assume uma escala monumental. A cidade que habita o coração do Brasil e no coração do brasileiro.

 

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[1], [2] e [3] Fonte: Projeto do Plano Piloto de Brasília por Lúcio Costa.
[4] Fonte: Instituto Brasília Ambiental (IBRAM)
[5] Fonte: site Fundação Athos Bulcão www.fundathos.org.br