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A arquitetura deixa legados em todas as metrópoles. Cada novo projeto erguido no espaço urbano contribui de alguma forma para a cidade, altera a paisagem e impacta a região. Efeitos que são positivos e transformadores quando se cumpre o compromisso da arquitetura em conciliar o espaço com o indivíduo e a coletividade, construindo um patrimônio/ herança para a vizinhança.

 

Refletindo sobre o assunto, conversamos com a arquiteta Ana de Paula Fonseca que integra a equipe da Davila Arquitetura, parceira em alguns projetos da Espaço Y. E sobre esse legado, ela comenta: “A arquitetura pode ser propositiva, provocadora de evolução de hábitos, pode catalisar mudanças na pessoa e na sociedade. Desta forma, o conjunto de uma arquitetura bem elaborada, bem pensada e bem realizada configura um espaço urbano, uma cidade certamente de maior qualidade.”

 

 

A história que a arquitetura conta.

 

“O que as pessoas, cidadãos ou visitantes percebem como sendo ‘a cidade’? A paisagem natural, sim, às vezes, define uma cidade, como o Rio de Janeiro, por exemplo, com seus marcos naturais, mar, praias e montanhas. No entanto, o que realmente define a cidade são seus espaços urbanos – vias, praças, parques – mas que se assemelhariam mais a um ambiente rural, não fosse a presença da arquitetura”, explica Ana de Paula que completa: “A arquitetura das edificações que povoam a cidade é que, em última instância, configura o ‘rosto’ de um setor, bairro, ou da cidade como um todo. Além disso, a evolução da arquitetura ao longo do tempo, com suas alterações de estilo, vai tecendo uma trama que conta uma história, a história da cidade, evidentemente, mas também a história do povo que a habita, que a constrói e a renova, a cada dia.”

 

Dito isto, é inegável não reconhecer na arquitetura os valores e as ideias de cada geração, e como a história da cidade se desenvolve a partir da interação das pessoas com esses ‘cenários’. O indivíduo se adapta à arquitetura, às intenções do arquiteto, mas também a desafia.

 

 

Herança da arquitetura

A arquitetura tem um legado tão importante para Brasília que integra a própria identidade da cidade.

 

 

Legados da arquitetura para Brasília.

 

Brasília é um exemplo claro dessa dinâmica, de quando o humano ocupa um espaço artificial de forma criativa, interagindo de modo a assimilar a arquitetura e depois adaptá-la ao seu estilo. Prova disso é que as escalas de Lúcio Costa e a arquitetura de Niemeyer são parte do DNA do brasiliense. Extrapolam o legado arquitetônico para se tornar identidade do morador. Em contrapartida, o brasiliense ocupa os pilotis, monumentos e tesourinha de um jeito nunca imaginado pelo arquiteto.

 

Outra questão interessante é se a arquitetura contribui para um legado turístico da cidade. “Brasília é, na verdade, um grande ‘parque temático’ da arquitetura moderna, devidamente reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade. Este fato por si só, já deveria garantir intensos fluxos turísticos à nossa capital, mas a verdade é que poderia ser bem melhor”, Ana de Paula responde. “Além dos edifícios oficiais eternizados pela inventividade de Oscar Niemeyer, para não comentar o traçado urbano inovador de Lúcio Costa e a contribuição de tantos outros artistas modernos, Brasília tornou-se uma cidade contemporânea onde não há medo de experimentar o novo, inclusive na arquitetura. É uma cidade pulsante com tantos atrativos que poderia ser muito mais visitada, se a compararmos com outras capitais brasileiras e internacionais.

 

 

Qual legado podemos esperar para o futuro das grandes metrópoles?

 

“Todo exercício de futurologia é arriscado, no entanto, temos que nos basear nas tendências”, Ana de Paula da Davila Arquitetura explica, abordando os futuros legados da arquitetura para as cidades.

 

“Elegendo algumas destas tendências, diríamos que a sustentabilidade dos edifícios de qualquer porte é uma pauta muito importante, senão a mais importante. O importante é que, levada a sério a questão da sustentabilidade, da economia de recursos e a necessidade de se minimizar os impactos no ambiente, a arquitetura será influenciada, inclusive plasticamente, por estas escolhas. Em outras palavras o tipo de materiais construtivos e de revestimento e a maneira como serão usados, por exemplo, produzirão uma estética própria. Nesta mesma trilha, o ‘verde’ deve estar cada vez mais presente, inclusive dentro de casa. Uma tendência neste sentido é o ‘urban jungle’, que radicaliza a presença de plantas dentro de residências e escritórios, mas com o intuito explícito de trazer saúde e bem-estar a seus usuários. Outra tendência interessante é a valorização de espaços coletivos, de interação social, tanto na escala residencial quanto na escala urbana. Certamente haverá também a valorização do espaço individual, sem sacrifício, porém para esta maior troca de experiências e convivência em espaços de uso coletivo, que terão força também para racionalizar os espaços, compartilhando tudo aquilo que puder ser compartilhado, com benefícios econômicos e sociais.”

 

 

 

Arquiteta Davila

 

 

 

 

 

Ana de Paula Fonseca

Arquiteta e urbanista, dirige a Dávila em Brasília. Reunindo uma larga experiência em desenvolvimento de empreendimentos no Distrito Federal, Ana é especializada na conciliação de demandas técnicas às necessidades das pessoas.

Sobre a DÁVILA


Com mais de 31 anos de existência, a Dávila é um dos maiores e mais respeitados escritórios de Arquitetura e Urbanismo do país, sendo reconhecida no mercado pela excelência no atendimento, competência técnica e criatividade no design. Sua equipe mescla o talento e a experiência de mestres arquitetos à inventividade de jovens profissionais, o que já resultou em dezenas de prêmios para seus projetos, incluindo 9 “Master Imobiliário”. Além disso, a Dávila é certificada sob a ISO 9001 há quase vinte anos e seu vasto portfólio reúne centenas de projetos efetivamente construídos, incluindo highrises ‘triple A’, hospitais, edifícios e complexos comerciais e residenciais multitorres, sedes institucionais e empreendimentos urbanísticos, dentre outros projetos complexos, das mais variadas tipologias.

 

 

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